sábado, 22 de dezembro de 2012

PÃ(PANDEMÔNIO!) - etimo etimologia glossário


A escrita é uma dança com os dedos
e a mão que quer e acaricia :
- a carícia
na carestia,
na velha tia,
na hóstia, na eucaristia,
que toda tia gosta
e de mãos postas!
- posta a mesa
para o glutão
e para a comunhão
com Cristo,
nosso Senhor...

Na "Ostia Antica"
Roma existia
vítrea,
vitrificada, 
no vitral.    

A pintura outra dança
no mover da mão
a braço com o abraço
do braço com a tela...
Bela, a fricativa na boca,
sibilante,
uvulares,
labiodental...
na dança
com língua
de Sancho Pança
e Dom Quixote(Dom Quixote! :

que dom o dom de Dom Quixote!)
no mote
e no bote da serpente
enrodilhada dentro do bote rio abaixo,
a sibilar
na sibila (que sibila!),
na pitonisa,
na píton reticulada
e em Pitágoras :
agora sem Ágora).

A mão dança nos dedos
ao desenhar o arco
do triunfo
que é uma dança no papel
do arquiteto
que a passa
em contradança
ao papel papal
que nem de uma papisa
- no papiro
tem o signo
onde giro eu
- eucarionte
ontem e tresontonte
do ventre livre
ao Monte Carmelo
hoje em um monte de caramelo
ou um amontoado de machimelo
em toada doce
de iguaria sem igual
para massagear os dentes
de leite das crianças
em danças
de infante
grimpante
e bactérias
quase etéreas
no lado invisível
do mundo cão pastor :
"Canis Minor",
"Canis Major"
a consonar com o céu
sem o anil vil,
metal, metálico.

O pensamento é uma "dançarina"
- uma bailarina
descrevendo senóides
pelo senos,
co-senos séculos fora.

As Três Graças de Canova,
Boticelli... : O pensamento é...
as Três Graças!
- e um bailarino
no filósofo-filólogo Nietzsche
que de ditirambo em ditirambo,
aforismo em aforismo,
até o desaforo!,
se dizia um dançarino,
porquanto salta o pensamento
aos olhos,
no caprídeo deus Pã (pandemônio!),
desenhado, desdenhado,
e em ondas senoidais
quais peixes que tais
se acham em nado
( que nada!)
na cascata(cascata!) do rio São Francisco
de água santa e benta,
água com madeixas encaracoladas
pelos cabelos das sereias
e das medusas
descendo a cachoeira
que pranteia
o amor feliz
e infeliz
de minha avó,
em algum lugar
da não-Mancha( Mancha, manchego,
não mancha o manche!(Manche?!)
ou da não-Mancha,
engastada no manche da Manchúria, quiçá,
de cujo nome
prefiro olvidar-me,
ou deixar descer
ao olvido,
sem ouvir
o rio letes
a bailar no leito,
lento, silente e sem leite,
aonde vamos em descenso
a braços com o barqueiro Caronte
em barcarola funesta,
que levara Menipo,
segundo o segundo evangelho da Menipéia,
vetusto apócrifo ,
não meu, nem teu,
nem do ateu, nem do arameu,
nem de Orfeu...

A filosofia
e a poesia
é toda uma dança,
o mito em rito,
que dança é
e dança vivendo,
na mostra de saúde,
enquanto há vida...;
pois "enquanto há vida
há esperança", de dança!,
de amor!..., dizia minh'avó,
em sua fé,
antes do mundo acabar nela,
desmoronar a alma
dentro dela.
Todavia,  se há esperança,
há esperança que salve
o verde que brota
no sistema vegetal,

sistema verde
que nutre e repara a vida,

dá alma à alma... :
Sim, há  esperança que salve
e isto não é um fato,
mas um ato humano,

pois os fatos
já estão mortos
e embalsamados
sob os signos da história.

A esperança
é um ato humano;

ato este que produz  esperança :
"SPE SALVI facti sumus",
dança a carta encíclica
do papa Bento XVI
na mão e no pensamento
do santo padre :
sumo pontífice.

 
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sábado, 8 de dezembro de 2012

ÚVULA(ÚVULA!) - wikcionário dicionário wikdicionário


À primeira vista
a catedral e o adro
estavam de luto,
em luto-fusco,
fosco sem lusco
- luto preto
de anum preto
pássaro preto,
viúva negra
de luva na cor da uva,
com úvula...(úvula!)
Ave, César!
(Arre, César!)
Ave, Maria!
- Maria da Graça de Deus! :
das três graças,
cumulada com miríades de graças,
Senhora das Mercês,
graciosa virgem preciosa,
animada, mas não animosa :
mimosa rosa, miosótis...

O luto da catedral
e do átrio
era um luto pelo qual
não luto, (luto?!),
mas luta a noite escura
- mais uma luta obscura!
nas trevas seladas,
veladas no velário de noites
enlutadas,
enluaradas,
ao palor do luar,
que banha o pavor
em ato e fato
desde os tempos imemoriais
da Lacedemônia,
que já fora denominada "Lacônia"
pelo lacônico habitual do povo :
tácitos, trágicos, tétricos gregos!

Vi-a "de dia";
contudo, o luto,
contra o qual não luto,
nem lutava ao luar
o corpo da catedral,
obscurecia a sua visão,
empanava-a na meia-fava
de um nevoeiro inteiro
e deixava-a às favas,
- a mendiga catedral perdida!,
mendigando à luz
de São Francisco em Assis,
mendicante beata,
suplicando por luz,
mergulhada nas águas negras das trevas,
num suplício "súplice"...
- algo tirante à gótica arquitetura,
desenhada no desdenho ...
que não tenho!,
por nada que nada! (Que nada!...) :
O escárnio não é ato meu,
porém do ateu
que chega ao nártex
e recua assustadiço :
noviço sem dente do siso..

Pintada no betume da noite
e do tempo no ébano
a catedral soturna
parecia feita
de lagartos negros
que pelas suas paredes
subiam e desciam
(declive, aclive)
a constituir e construir as paredes
com seus corpos nigérrimos.

Depois de muito tempo
vi um desses lagartos
largado no chão
distraído a banhar-se de sol
que, ao perceber presença
humana predatória,
saiu em disparada
lendo, por semiologia, em mim
os "Disparates" de Goya
e os "Caprichos", na Quinta do Surdo,
e na Quinta sinfonia de Beethoven.

Imóvel no solo o sáurio estava
e neste estado de fato
semelhava um demônio de ébano
em decúbito ventral
com sua longa cauda
que, ao se mover de chofre,
revoluteava qual víbora solerte,
e a cabeça lambia o ar
que havia em brisa
com um quê de malévolo em fronte
de quem olha e vê
o frontão da igreja do mal,
- ou o mal destilado na peçonha
da serpente devoradora,
que é o "estigma" do demônio em pessoa,
enrodilhado na língua
que pastoreia a grei...
com chocalho
a tinir
tilintar
e o veneno na boca
e nos dentes
em mostra letal
escorregando do sangue,
que o armou com toxinas letíferas.

O lacertídeo era um lacedemônio(lacedemônio!)
( que o lace o demônio!
- que o enlace aquele lovelace!),
pois a história e a estória
sempre se tocam no que era o tempo
-  que era numa "Era " geológica...
E após o Período geológico
e em Tabela periódica,
a estória a narrar a história
quando "era uma vez... "
("um pinto pedrês!") :
na voz de minha mãe!,
e uma era,outra vez.
d'outra vez,
d'outa vez,  (sem fio de voz!),
a Era de Aquário,
Nova Era
e a Era que viera
antes de minha existência
em carga de energia
no corpo anatômico-fisiológico
( A vida é uma carga de energia
que vai se esvaindo
no corpo-envoltório
da "pilha alcalina",
diferentemente da farinha e do azeite
da viúva de Sarepta
e da voz de minha mãe
nas noite tempestuosas
derribando luz e mel
na narração de um conto de fadas...
- fadas fascinadas! ,
o carinho a caminho
no que treme a voz
na lamparina soprada pelo vento
que atravessara a cortina...)

O lacertídeo parecia um demônio
(era um demônio! :
em decúbito ventral)
num guerreiro lacedemônio
a me esperar...
porque "Spe Salvi...",
diz em benção Bento...
na Encíclica papal,
 benta epístola,
água para animar o peregrino,
água aspergida
num caminho que leva à economia salvífica
para o clero e para o "vero"
para prelados em todos os lados :
ladeados pelo mundo "ecumênico"
ou pelo mundo profano em pelo
de camelo ou novelo,
enovelado em "Encomium Moriae",
que não veio de Pérgamo
num pergaminho
até o Minho
e o Douro.

Oh! tempo!, que põe pedra em cantaria
e cobras e lagartos
cospe,
quando cospe um bosque,
na terra,
ou um bosquejo do homem,
na arte,
pelo artista ao lápis de Picasso,
no traço que é o rastro do mestre:
traço sem traça, troça ou trapaça...
Que acha?!...

Depois da Catedral de ébano
banhada à lua
e ao sol sem chapéu azul
celeste
vi, ouvi e vivi
tantas mutações!,
que mudo não estou
porque não mudo,
nem sou surdo, como sói chamar
a um certo instrumento de percussão
e a um homem
que faz ouvidos moucos
sem ser louco
e estar de oitiva
abaixo dos lagartos
largados  ao largo
das paredes da catedral dos lacertídeos.

Os imaginários lagartos
iam e vinham
do florão ao rés-do-chão.

No transepto
o Cristo no Cruzeiro:
crucificado!


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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

EUCARISTIA!9EUCARISTIA!) - etimo etimologia

Meu tio-avô tinha um carro antigo
preto, daqueles tipo manivela,
mas já sem manivela,
cujo motor fazia um ruído de gente gargarejando
com romã e água :
glute glube "gluve"
gargarejava o motor
( Será por isso que amo carros antiguados,
daqueles do tempo do dele?!)

Ele era alto, magro, moreno ao matiz  da melanina
ao "andalus" ( Al-Andalus")
dos povos de Espanha
( meu pai se dizia de Mar de Espanha!),
dos mouros, moçárabes de Granada,
contido em sua aparente frieza inacessível,
de pouca fala
não desperdiçava uma palavra,
introvertido,
calmo, frio ( frio?!), médico e homem,
tal qual meu avô,
seu irmão,
que não conheci,
não sei do temperamento,
se quente, se frio, se morno,
se extrovertido ao modo do jargão de Jung,

se, se, se...,
porque morrera num desastre de avião :
teco-teco, imagino,
quando minha mãe orçava pelos seus quinze anos!
( Por isso tenho medo de entrar em avião
e fascínio (fascínio!) por jato supersônico
rompendo a barreira do som
suspenso no ar da manhã de abril...?!
E estudei medicina desde tenra idade,
autodidata em tenra idade :
em  menino inventava remédios
para as galinhas
e operava os pés lacerados dos galináceos?!
Seria rito genético
estudar com afinco genética,
ornitologia, entomologia, psicologia...
 desde os 8 meses de idade?!
Fábio de "faber" não crê,
mas Fábio de "bio"
- "sábio".)

Morava a um filete de luar de casas
lá de casa,
nem mais quadra ou quasar.
Vivia amancebado com uma mulher gorda,
muito branca, de voz rouca,

- rouca, rouca, roufenha (roufenha!),
simplória como a glória
de um homem.

Ele me parecia velho,
mas aos quinze anos
quem não é olhado como velho pelo jovem?!
( Esta a alteridade do mancebo
com a Ancião dos anos?!...).

Devia orçar  (virar a proa do veleiro brigue

- veleiro brigue antes da arribar )
pelos cinquenta a sessenta anos,
o velho veleiro brigue.

Não sei se fora casado,
se tinha filhos;
com a mulher com quem coabitava
não os tinha.

À época eu não sabia
que ele era meu tio-avô.
Acho que quase ninguém sabia
e aqueles que tinham ciência do fato
mantinham a discrição do tempo
que fazia o ser do homem
costurado com o contexto temporal :
Costumes costurados ao homem de antanho.

Ele se estabelecera num consultório,
que era uma antiga vivenda,
frente à praça da Matriz
onde havia uma escultura de Cristo
toda branca de  lua no meio dia,
parecendo lua pintada da "cor" de nuvem branca...
a alguns passos do paço do cais,
que era um mirante para a areia alva,
duas rochas no meio à correnteza
de um rio santo igual a São Francisco de Assis
abençoando a terra boa
de homens ruinosos,
a cobra "mboa", no tupi dos tupis,
guaranis guapos, guaranás, ananás;
serpente constritora
que do tupi "mboa"
migrou para o português na palavra jibóia :
uma canoa com canoeiros à margem do rio santarrão
e da economia marginal.


( A memória é "um" fantasma

em revisitação a outros fantasmas...

camaradas!(camardas?), companheiros... 

...Vinha pelo caminho que vinha vendo

descendo a rua longa que via (que via!: Ápia.)

que dá no mercado municipal  

de onde subi muitas vezes bem bêbado

anos depois deste fato enfático

quando no passo do terreno baldio

onde as mangueiras em fina flor

para abelhas não-rainhas  

quando, casualmente, vim a defecar na calça curta

de menino que voltava da escola.

Fui direto à casa de "vovó"

porque lá sabia

que não haveria reprimenda, admoestação,

mas apenas compreensão,

cuidado e um amor infinitesimal

muito bom , que muita bem fazia...

Por isso sinto a falta dela,

até hoje sempre-viva  

- saudade escrita por poeta português :

o fantasma da minh avó materna

ainda cuida de mim no berço

que ela balança e canta

- uma cantilena para dormir! 

-Minh'avó era minh'alma

e a alma de minha mãe :

interligadas almas

no corpo de Cristo em eucaristia!(eucaristia!).
 
Quando eu ia ao consultório dele
na companhia de minha avó
ele sempre a tratava com desvelo
infinita paciência para com os seus choramingas de viúva
( Viúva de Sarepta!)
e quando ela emitia seus queixumes
sobre as dores que afligiam
todas as Marias das Dores,
suplicando por remédios
ele dizia : não é nada, Mariinha!"

(Qual o nome da rosa?!

- para mim este era o nome da rosa!...;

hoje a nomenclatura binomial

não trata da rosa,

mas do cinamomo, digo :

"Cinnamomum cassia"

(quando grafo "Cassia"

não digo: "amor!"

porque ao falar ou grafar

já tenho atitude de amor,

que é mais que palavra pode rezar

ou legar em lei ("lex"!);

ao grafar e dizer "Cássia"

já amo a botânica(bota a bota na botânica!)

e a mulher plantada

na minh'alma "vera", veraz!

Geoglifo : 'Cássia" para "Cinnamomum cassia".)
e hieroglifo"cinnamomum aromaticum",

fora do verbete para rosáceas :

"...rosarum" de rum.  ) 

Depois da consulta

quão aliviada parecia minh'avó!

Saía "avos" aliviada da pena pesada 

que se impunha indevidamente.
Penosa carga,cruz lastimosa, lacrimosa (lacrimosa!)
de todos os Cristos que somos.

Outrossim, quando a moléstia era comigo,
olhava-me com uns olhos estranhos
de quem tinha caminhado ao meu lado
por toda uma vida antepassada
na estrada da genética(genética?!...)
e conquanto aos ritos(que ritos!?...) nos olhos
não acompanhassem o corpo
por causo do autodomínio
de um homem de cérebro gelado
e gestos contidos,
o olhar cumpria todos os ritos
de um zeloso e preocupado tio-avô
que, não obstante,
nem a palavra me dirigia,
embora me atendesse
antes de todos
que já estavam no consultório,
ainda que seu fosse o último a chegar
e o recinto estivesse cheio de pacientes.

Minha avó morava meio filete de sol
do consultório dele
mais perto dos pés descalços
do santo rio carmelita descalço
ande o profeta João
batizou muita gente
no tempo mítico
que é o pretérito
contado em fadas e duendes, elfos, sacis, lobisomens...
"muares" sem cabeça (mulas-sem-cabeça!).

Minha avó morava numa casa simples,
digna de atender à pobreza do santo de Assis,
que ali podia por embaixo a cabeça
com o chapéu de telha-vã.

Meu avô sempre marcava encontro com ela
na bela praça
que dava de olhos para o rio
cheio de amor com odor de peixes.
Até a água traz o cheiro do peixe em escamas
nas camadas do corpo-sereia.

Quando eles se encontravam
minha mãe, então com suas quinze primaveras,
estava presente.
Ele a tratava como filha que era e é
( verbo tem voz no presente,
mas guarda voz mnemônica
e imaginada para futuro sol).

A paixão do amor entre eles
é a mesma que emerge
em qualquer casal
preso à essa energia
que o corpo tem a despender
prodigalizando o melhor de si
na música que é a arte da vida
desde o soprar e puxar um oboé do vento

( do pulmão, do fole do vento!)
como instrumento de sopro
que dá o prazer de amar.
A arte é a felicidade física-química-elétrica
no corpo sadio
que pode se dar ao luxo do amor.
O amor é um esbanjamento de energia vital :
a maior riqueza,
a fortuna de ter vida plena a prodigalizar.

Quando meu avô morreu tragicamente
ele já havia acertado com minha avó
as bodas que teriam
se a morte não fizesse a travessia
pela metade do caminho
que não os separava
um Romeu e outra Julieta
que dormitavam na poética
escrita para eles, entre enamorados,
no sagrado livro do poeta santo.

Meu avô ainda era casado com outra,
mas minha avó não entrou no velório
como "a outra",
mas sim como esposa
separada pela morte
não do cônjuge,
mas do esponsais,
das bodas adventícias
marcadas para um tempo
que não existiu
ou deixou de existir com o finado corpo,
a finada energia do meu antepassado.

( O corpo é um acúmulo de energia,
uma armazém de vida,
que se consume rapidamente
quando  coração se desespera na corda,
dá corda na corda bamba,
bate desesperado para salvar a vida
e acaba por gastar toda a energia
nesta tentativa de sobrevida:
o organismo é uma fábrica de energia em produtos
e o depósito dessa energia em massa
a ser distribuído pela economia da vida).

 Os mortos estão vivos
- "in core"("in core, in core"!)
estão ativos no teatro mnemônico
e continuam com seu livre-arbítrio aberto,
ignorando os loucos polígrafos
que pensam que sabem pensar
porque sabem escrever com engenho e arte
à Camões, Luiz Vaz, "Os Lusíadas".

Não me lembra
a morte de meu tio-avô;
jamais tive notícia dessa morte,
senão num nome de avenida
em memória dele,
"in memoria Dei".
Mas se tem algo "in memoriam"
é porque ele morreu.

Não sei se ele era dos guelfos
ou dos gibelinos;
devia ter seu merlão gibelino

nas suas fortificações
ou estar nas crônicas da família guelfa,
mas nunca esteve em guerra :
só consigo, talvez.

Para mim meu tio-avô
continua vivo
com sua mulher e seu carro antiguíssimo
sua face serena, trigueira,
porque o que matou ele
foi o nome de rua,
mas não o nome da rosa
- da rosa que ele amava...
e ama!, porque é obra de Deus,
não obra do deus Cronos :
o amor é imperecível,
intangível, infungível,
sem fusível
que possa apagar a luz do sol
num céu solar ou lunar.


Assim li, revisitei e escrevi

o que vi e cri

do cricilar do grilo ouvido

e incomodando o ouvido,

batendo o martelo na bigorna,

ó ferreiro dos deuses!: Vulcano.

Uma história é assim

sempre para trás dos anos

com um pé atrás 

dos Montes Urais

(Urrais atrás dos Montres Urais?!),

por isso não arrolei os nomes das vítimas

- vitimadas pela vida 

e pela morte

que morde o corpo

pouco e pouco;

apenas e com pena na pena

( que pena!, nem é mais pena de pavão!?...

nem mata-borrão tem!)

conto uma estória 

que passa pela história

lambe  a lenda

em seus sais minerais

e o mito que canta na tragédia

a tragetória das personagens:

todos deuses e heróis!,

conquanto finjam no teatro

que são apenas frágeis seres humanos...    

Uma história que sempre está

Trás-os-Montes,

trás-os-motes,

tresontonte...

e narra o encontro inenarrável

da rosa e do cravo       

em meio aos escravos e ex-escravos

que não cravo com o cravo

em que pregaram Jesus à Cruz romana

porque somos todos

e estamos todos

- com Jesus na cruz 

da vida e da morte.  

(Não há mote(mote!)

para a morte).     


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sábado, 1 de dezembro de 2012

ESPONSAIS - verbete

Meu tio-avô tinha um carro antigo
preto, daqueles tipo manivela,
mas já sem manivela (manivela!),
cujo motor fazia um ruído de gente gargarejando
com romã e água :
glute glube "gluve"
gargarejava o motor
( Será por isso que amo carros antiguados,
daqueles do tempo do dele?!)

Ele era alto, magro, moreno ao matiz  da melanina
ao "andalus" ( Al-Andalus")
dos povos de Espanha
( meu pai se dizia de Mar de Espanha!),
dos mouros, moçárabes de Granada,
contido em sua aparente frieza inacessível,
de pouca fala
não desperdiçava uma palavra,
introvertido,
calmo, frio ( frio?!) médico e homem
tal qual meu avô,
seu irmão,
que não conheci,
não sei do temperamento,
se quente, se frio, se morno,
se extrovertido ao modo do jargão de Jung,
porque morrera num desastre de avião :
teco-teco, imagino,
quando minha mãe orçava pelos seus quinze anos!
( Por isso tenho medo de entrar em avião
e fascínio por jato supersônico
rompendo a barreira do som
suspenso no ar da manhã de abril...?!
E estudei medicina desde tenra idade,
autodidata (autodidata!),
e em  menino inventava remédios
para as galinhas
e operava os pés lacerados dos galináceos?!
Seria rito genético
estudar com afinco genética,
ornitologia, entomologia, psicologia...
 desde os 8 meses de idade?!
Fábio de "faber" não crê,
mas Fábio de "bio"
- "sábio".)

Morava a um filete de luar de casas
lá de casa,
nem mais quadra ou quasar.
Vivia amancebado com uma mulher gorda,
muito branca, de voz roufenha,
simplória como a glória
de um homem.

Ele me parecia velho,
mas aos quinze anos
quem não é olhado como velho pelo jovem?!
( Esta a alteridade do mancebo
com a Ancião dos anos?!...).

Devia orçar  (virar a proa do veleiro brigue

- veleiro brigue antes da arribar )
pelos cinquenta a sessenta anos,
o velho veleiro brigue.

Não sei se fora casado,
se tinha filhos;
com a mulher com quem coabitava
não os tinha.

À época eu não sabia
que ele era meu tio-avô.
Acho que quase ninguém sabia
e aqueles que tinham ciência do fato
mantinham a discrição do tempo
que fazia o ser do homem
costurado com o contexto temporal :
Costumes costurados ao homem de antanho.

Ele se estabelecera num consultório,
que era uma antiga vivenda,
frente à praça da Matriz
onde havia uma escultura de Cristo
toda branca de  lua no meio dia,
parecendo lua pintada da "cor" de nuvem branca...
a alguns passos do paço do caís,
que era um mirante para a areia alva,
duas rochas no meio à correnteza
de um rio santo igual a São francisco de Assis
abençoando a terra boa
de homens ruinosos,
a cobra "mboa", no tupi dos tupis,
guaranis guapos, guaranás, ananás;
serpente constritora
que do tupi "mboa"
migrou para o português na palavra jibóia :
uma canoa com canoeiros à margem do rio santarrão
e da economia marginal.

Quando eu ia ao consultório dele
na companhia de minha avó
ele sempre a tratava com desvelo
infinita paciência para com os seus choramingas de viúva
( Viúva de Sarepta!)
e quando ela emitia seus queixumes
sobre as dores que afligiam
todas as Marias das Dores,
suplicando por remédios
ele dizia : não é nada, Mariinha!"

(Qual o nome da rosa?!
- para mim este era o nome da rosa!...) 
Depois da consulta
quão aliviada ela parecia!
Saía aliviada da pena pesada 
que se impunha indevidamente.
Penosa carga,cruz lastimosa
de todos os Cristos que somos.

Outrossim, quando a moléstia era comigo,
olhava-me com uns olhos estranhos
de quem tinha caminhado ao meu lado
por toda uma vida antepassada
na estrada da genética
e conquanto aos ritos dos olhos
não acompanhassem o corpo
por causo do autodomínio
de um homem de cérebro gelado
e gestos contidos,
o olhar cumpria todos os ritos
de um zeloso e preocupado tio-avô
que, não obstante,
nem a palavra me dirigia,
embora me atendesse
antes de todos
que já estavam no consultório,
ainda que seu fosse o último a chegar
e o recinto estivesse cheio de pacientes.

Minha avó morava meio filete de sol
do consultório dele
mais perto dos pés descalços
do santo rio carmelita descalço
ande o profeta João
batizou muita gente
no tempo mítico
que é o pretérito
contado em fadas e duendes, elfos, sacis, lobisomens...
"muares" sem cabeça (mulas-sem-cabeça!).

Minha avó morava numa casa simples,
digna de atender à pobreza do santo de Assis,
que ali podia por embaixo a cabeça
com o chapéu de telha-vã.

Meu avô sempre marcava encontro com ela
na bela praça
que dava de olhos para o rio
cheio de amor com odor de peixes.
Até a água traz o cheiro do peixe em escamas
nas camadas do corpo-sereia.

Quando eles se encontravam
minha mãe, então com suas quinze primaveras,
estava presente.
Ele a tratava como filha que era e é
( verbo tem voz no presente,
mas guarda voz mnemônica
e imaginada para futuro sol).

A paixão do amor entre eles
é a mesma que emerge
em qualquer casal
preso à essa energia
que o corpo tem a despender
prodigalizando o melhor de si
na música que é a arte da vida
desde o soprar e puxar um oboé do vento
como instrumento de sopro
que dá o prazer de amar.
A arte é a felicidade física-química-elétrica
no corpo sadio
que pode se dar ao luxo do amor.
O amor é um esbanjamento de energia vital :
a maior riqueza,
a fortuna de ter vida plena a prodigalizar.

Quando meu avô morreu tragicamente
ele já havia acertado com minha avó
as bodas que teriam
se a morte não fizesse a travessia
pela metade do caminho
que não os separava
um Romeu e outra Julieta
que dormitavam na poética
escrita para eles, entre enamorados,
no sagrado livro do poeta santo.

Meu avô ainda era casado com outra,
mas minha avó não entrou no velório
como "a outra",
mas sim como esposa
separada pela morte
não do cônjuge,
mas do esponsais(esponsais!),
das bodas adventícias
marcadas para um tempo
que não existiu
ou deixou de existir com o finado corpo,
a finada energia do meu antepassado.

( O corpo é um acúmulo de energia,
uma armazém de vida,
que se consume rapidamente
quando  coração se desespera na corda,
dá corda na corda bamba,
bate desesperado para salvar a vida
e acaba por gastar toda a energia
nesta tentativa de sobrevida:
o organismo é uma fábrica de energia em produtos
e o depósito dessa energia em massa
a ser distribuído pela economia da vida).

 Os mortos estão vivos
- "in core"("in core, in core"!)
estão ativos no teatro mnemônico
e continuam com seu livre-arbítrio aberto,
ignorando os loucos polígrafos
que pensam que sabem pensar
porque sabem escrever com engenho e arte
à Camões, Luiz Vaz, "Os Lusíadas".

Não me lembra
a morte de meu tio-avô;
jamais tive notícia dessa morte,
senão num nome de avenida
em memória dele,
"in memoria Dei".
Mas se tem algo "in memoriam"
é porque ele morreu.

Não sei se ele era dos guelfos
ou dos gibelinos;
devia ter seu merlão gibelino

nas suas fortificações
ou estar nas crônicas da família guelfa(guelfa!),
mas nunca esteve em guerra :
só consigo, talvez.

Para mim meu tio-avô
continua vivo
com sua mulher e seu carro antiguíssimo
sua face serena, trigueira,
porque o que matou ele
foi o nome de rua,
mas não o nome da rosa
- da rosa que ele amava...
e ama!, porque é obra de Deus,
não obra do deus Cronos :
o amor é imperecível,
intangível, infungível,
sem fusível
que possa apagar a luz do sol
num céu solar ou lunar.

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domingo, 11 de novembro de 2012

BEATLES - verbete


Mister (é) inventar a paz
ou descobrí-la lá onde brilha e canta :
descobrí-la no colibri, lá na brisa,
cobrí-la na aragem natural
que corre mundo
até onde vai o mundo
e chega ao fim-do-mundo
para o indivíduo duo,
- dual em dueto;
solista, solipsista
ou em coro angélico no cantochão,
a consonar com a paz
anagógica na figura da pomba cubista de Picasso,
tonante na caixa de ressonância do violão,
em bandos de banjos
à mão ( às macheias!) e nos dedos dos anjos,
anjos-dáctilos ...
que dedilham banjos anchos,

Sancho "Ancho" Pança...
- por Júpiter...! Capitolino,
no monte com mote do deus
em tempo e templo Capitólio,
no teatro, anfiteatro, município
das minas gerais do pobre Aphonsus
a ouvir os responsos dos sinos
em ais nas catedrais drásticas
nas atitudes dos gárgulas em Notre-Dame...

 
( Ah! há a paz nos vegetais, deveras...
Aloé, Cássia! : "Aloe vera! ).

Mas mais: e muito mais e mas
para maior glória da paz
e "ad majorem Dei gloriam" ,
cujo acrônimo é AMDG
lema que frutifica em lima (laranja)
na santa Sociedade de Jesus,
sempre em companhia de Jesus
desde o basco santo Ignácio de Loyola :
paz por dentro e por fora do homem
tal qual no vitral exegético da catedral
gótica ilustrada, exegética,
em teologia lunar,
teogonia solar
e epifania de luz
de Jesus em agonia na cruz
e na luz que nada na via crucis,
"crucis" via do dia-a-dia
que nada adia
no medrar sem medo das três crucíferas
graças às três graças
e as três garças
originárias da munificência divina
e também, após o pó de Belém,
 em Canova esculpida...
- quase em vida na pedra deste outro Pigmalião!

 

( Oh! ò Vera,
aloé, Vera!
( "Aloe vera"),
a paz na mulher
é "vera" no latim
que late "Aloé vera"
quando nomeia a babosa
( "Aloe vera" ),
mas ama Vera, deveras,
porque a babosa é um bálsamo
e tem apenas relação plantar com a Cássia
( "Cinnamomum cassia"
ou "Cinnamomum aromaticum")
ou a acácia enfunada em flor :
a verdade do latim
e a mendacidade na mulher
em latitude latina
e atitude floral...).
 
Mister, ego,
ego meu, egocêntrico,
que haja preeminência da paz
ao longo e além da envergadura da asa da pomba
em dulcíssimo tatalar em voo
sobre a cabeça de Jesus recém-batizado por João
coroando com o lilás da trombeta de anjo
exuberante na glória matutina
prefigurando já na manhã sã, malsã,
um reino de amor
porquanto a paz é o mesmo que o amor
com outras nuances na palavra,
em outra acepção
e atitudes, gestos, atos humanos...:
a paz não cabe numa palavra,
numa locução verbal ou nominal,
nem em muitas frases,
nem tampouco nas orações dos livros longos e sagrados
com todos os tomos

( tomos que somos nos alfarrábios

côlonias de traça e caruncho )
que o mulos carregam nos lombos,
pois se assim fosse o fosso
o mar vermelho não daria passagem
sem profundo pesar do pélago
aos pés enxutos dos judeus errantes
que acorriam ao mar
que late a escarlate em policromia
mas não mia
nem tampouco mama
senão em italiano
belo idioma que chora e mama
na poesia de Tasso, passo a passo
com o calor do Vesúvio...
Se assim o fosso fosse
o Rubicão secaria ( transudaria?) os pés de César
antes da travessia e ante a travessura
que César faria
( Ou César fará?! ).

 
A natureza sabe e fabrica essa paz amorosa
ornada até no mel de flor de laranjeira
ou no ato do predador,
da besta atrás do alimento
e não de matar por puro ato gratuito ;
contudo, nós, humanos,
vê-la ( à paz) podemos
apenas pela vela a velar os olhos
com o véu das luzes diáfanas,
feéricas ( feericas), com cores tamisadas
nos vitrais das catedrais góticas,
ou em trevas densas, pesarosas,
onde não podemos ver...
ou mesmo antes das luzes estivais e trevas espessas
no xadrez das barras do dia e da noite
a apascentar a alma com luminárias :
templo em tempo de lusco-fusco
ao sabor, a saber, amargo nas boninas,
bonitas em Anitas.

 
( A paz assente no belo
na beleza da alma e corpo são,
em plenilúnio "de lua"em pleonasmo

 , sol e sal (mineral),
porquanto o corpo são produz a alma sã,
com a mente sã sumo e unguento aguento
e vice-versa enquanto o campeão, o vencedor prosa.
A mesma paz ausente
do bello gálico
porque paz não é pus ).

Quiçá juntando razão e paixão
façamos o amor brotar
nas vergônteas que brotam da paixão de Eros,
à erótica, no sensualismo do amor,
ou na erupção exuberante da paixão ágape.

( Havia a via crucis
com uma paz de pinha
na poesia inebriante, inebriada de Paul Verlaine
e do Paul dos Beatles

( Beatles de Paul?),
besouros de ouros,
escaravelhos dos velhos hieróglifos,
insígnias, selos, cartuxos dos faraós do Egito
tais coleópteros).

 

Unindo amor e racionalidade
talvez possamos por,
enquanto ser alienado de nós,
o amor no mundo,
não apenas na alienação do mito,
mas como realização da práxis
- não de Marx ,
nada de Marx
que com sua utopia pia
fez a foz...;
tampouco de romana pax
- não de Marx,
e sua entropia
que antevia aquilo que em "crucis via"
era do vozerio do profeta a via
dolorosa que havia
antes do ato em "persona"
de criar sua utopia
sem o "pathos" da criança Sofia
( Sofia, Sophia, que só fia na filosofia!),
que tem um pacto de amor com a paz.
 
( Paul , o grande paul,
amo o paul imenso,
profundo como o sono dos justos,
acertados em saúde;
o paul esparso em garça e saracura
que não sara Sara (Sarah)
nem cura o cura da Cúria romana) ,
algo altas peraltas ...:
Pernaltas?!
Perna longa, perna-de-pau...
Perna de paul!)
Mister criar a paz ingente
nas gentes, urgente nos agentes,
ao invés de obnubilá-la
no lá lá lá nu do blá blá blá blau
a obnubilar a paz cá e lá.

( Cá já há a paz.
Caju lá e paz de Alá lá.
Cá...cá, lá o lá lá lá da paz
dita, maldita no maldito Modigliani
e no tio Sam, suntuoso,
ungulado na besta ungulada ...: besteira!).

Paz no pacífico
oceano que ano a ano amo
sem recorrer a pacifismo
ou outra doutrina para embalar surfista em onda...:
a paz é a rainha de Nossa Senhora de Fátima!,
porém não de Lourdes,
que é minha mãe
- Maria de Lourdes
filha de Castro
e cônjuge de Gribel.
Gilson, meu pai,
meu filho
e meu espírito santo,
o consolador
que Jesus deixou
em sua imensa piedade....
e mansidão de rio doce
onde mana maná de leite e mel,
não no leito,
mas no leite que emana 

( e mana maná - a emanar
do mar oceano de manágua)
da fonte de Lourdes...
 
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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

ESTAPAFÚRDIA - léxico lexicografia



Gostaria de deixar um filho com ela
a medrar dentro do seu paul :
Paul ou Saul ou Raul .
Um menino bem-nascido
que tenha o estro de Manuel Bandeira,
mas não desfralde bandeiras
ou creia nelas
tampouco nas gestas históricas ou lendárias...
- que todas são lendárias,
mitos da pré-história
tempo de nenhuma língua na boca
ou escrita à mão de um Santo Antão,
certo santo ermitão de então,
de antanho.
Que seja antes de todo o tempo
um rei da alegria
pois quem tem alegria tem paz
e quem tem paz
esculpe a serenidade em corpo e mente,
escultora do corpo anatômico
( a mente é o corpo fisiológico
que divide o homem ao meio
com a mulher na meia )
plasma um espírito sereno
sem chapéu para apanhar de concha
o orvalho ("sereno") da madrugada
que canta no canto de Jorge Ben Jor
num pé só
porém não de saci-pererê
porquanto poderia ribombar
esse dizer
na hipocrisia estapafúrdia
do "politicamente correto"
quando quase nada,
de fato e de direito,
é politicamente correto
na política,
porquanto "pau torto que nasce torto..."
de tanto se banhar ao sol!,
clemente, inclemente...
"morre torto".
 
Uma criança que poderá
vir-a-ser um virtuose ao piano
ou um filósofo cético
sem filosofa rebuscada;
um incréu "moderado"
porque qualquer e toda crença
só traz desavença
quando não livra o espírito de pertença
antes o institui,
sopra em bolha, estatui...
pois o mundo maniqueu
entre Deus
e o diabo
é o territória da crença :
terra aflita
em conflito...

Uma criança que diga
com giga
bytes de potência:
"Sursum corda"!
aos corações dos homens ( e mulheres!)
sem corda
na rabeca;
sem acordes
- sem acordar ...

 
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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

INTRUJÕES - wikcionário



As palavras não acompanham o movimento rítmico da química, pois enquanto a medicina pensa, fala e escreve pelo médico, a química já passou para outra fase, aonde ainda não foi o pensamento, preso ao seu envoltório contextual, malgrado dos esforços despendidos pela etnologia, que nos ensina o contexto comparativo, a fim de que possamos, com tal paradigma, ler o nosso universo contextual, microscópico. Mas não lemos, não aprendemos o alfabeto para tal leitura penetrante.
As palavras, outrossim, não alcançam a  complexidade, o espaço geométrico complexo que está na mutação  do corpo, mormente porque tal complexidade do organismo ocorre não do organismo estar sendo estudado em absoluto, ou na "absolutismo" que a abstração, que é um instrumento auxiliar e essencial ao estudo, deixa entrever no "escapismo" da relação; e não uma mera e isolada relação, mas todos os laços com o cosmos, com o tempo ou ritmo que o universo emprega nesta relação e todo o espaço que abre o infinito matemático ante os olhos que não podem ver a finitude, nem tampouco o cérebro por seus instrumentos mentais, dentro os quais estão os símbolos, signos, sinais e as linguagens das ciência, no caso aprestada para atender os desígnios que o homem persegue enquanto matemático, uma de suas alienações que, do pensamento exterior ao mundo, quando se separa pensamento do homem e natureza, vai ao universo através do mistério ou festa ritual 
( "Festum Asinorum" ou " A Festa do Burro", que é um antigo mistério medievo ), mistério este que traz o pensamento universo posto ou lançado fora do pensamento humano, no matemático, que é  apenas um mistério ou um rito com um personagem que representa o homem, sob a  fantasia ou alegoria do matemático, que somente existe enquanto há o homem a embasar sua personagem de mistério festivo ou religioso. O Carnaval é um desses mistérios festivos.
A complexidade no qual o espaço está escrito e tecido o olho não alcança, porquanto o olho vem depois desse tecido, da tecitura espacial, pai material do olho, um órgão  do sentidos, padre espiritual do olhar, um objeto de pensamento, uma abstração ;assim o microscópio também não pode desvendá-lo, ou desvelá-lo, pois o espaço é anterior a tal invento humano,  o espaço não-geométrico, mas sim  natural, é o pai do órgão visual , o  qual tem a mãe como matéria e a energia como o amor que move, modula e molda a matéria na química e na física, que estão antes das palavras, as quais não as alcançam, mesmo porque a complexidade do espaço cósmico só aumenta e o ritmo do tempo na química também. É o paradoxo de Zeno envolvendo a tartaruga e Aquiles e a fábula "a lebre e a tartaruga", atribuída a Esopo.( Esopo e a mônada na fábula).
 Sem embargo, as linguagens, como as matemáticas, chegam mais próximas da complexidade do espaço, mercê de sua própria complexidade, que traz em si grande parte do aparato mental constituído de símbolos e signos. O mesmo vem ocorrer com a apreensão e compreensão do ritmo  natural ou tempo. 
A química, enquanto ciência, tem a "velocidade " da linguagem, que não acompanham a química enquanto conjunto de fatos naturais, dada "ad infinitum" do olho e dos instrumentos humanos, bem como de sua linguagem; por isso, não demarca tempo ou ritmo para ficar par a par com a natureza, quando posta em química, pelo arbítrio humano. Em verdade,  a ciência, na economia da Antiga Grécia, era una e, concomitantemente, combinava ou correspondia à unidade do ser erigido por Parmênides, ou seja, a única ciência para a natureza era a física ("phisys"). Não havia sua antípoda "metafísica", na qual nem Aristóteles pensara. A expressão "metafísica'" é de um compilador da obra do filósofo da Academia, cujo fito era separar a parte da filosofia de Aristóteles que não fosse sobre o pensamento u filosófica : a parte que não tratava da ciência ou física ou "Phisys" ou matéria, natureza, ou o que os  gregos, no pensamento de Aristóteles, pensava sobre o significado do "logos" "phisys", que é intraduzível, exceto para embusteiros.
Cabe a distinção entre ciência, no sentido estrito de conhecimento, ou busca do conhecimento erudito, da ciência enquanto instituição. Esta última não é ciência propriamente dita, porque contém o aspecto que macula a ciência : a fé,; no caso, a fé na prova. Aliás, toda política ( a religião e o direito são políticas, além de linguagens e instituições), tem mister do mistério de uma fé. 
A ciência, enquanto produção de conhecimento, não tem contexto exterior, porquanto é individual, intimista mesmo!,  não é coletiva, para o rebanho,  como o é a ciência-instituição ou a instituição da ciência, sempre sob os cânones do direito, junto às linguagens que concorrem para formar o direito,  que lhes dá um contexto ; a saber : um credo político, ideológico, prático, valores, interesses espúrios, preconceitos do momento, modas no pensamento, ídolos da ciência, etc. 
A ciência institucionalizada, oficial, não apregoa o conhecimento vivo, do momento, que nasce na mente do homem, enquanto ser individual, hoje, agora, neste instante em que insta a vida, livre de contexto (pressão ) político ; não está num contexto exterior ao indivíduo, mas apenas no contexto interior, que o ser humano amealhou no curso de sua travessia afinada com a vida e suas experiências pessoais, únicas, intransferíveis.
A ciência de fato, não a de direito, a institucionalizada, amarrada nos grilhões das leis em milhões nas diversas economias a que estamos submetidos ( a economia da salvação, por exemplo, a economia do direito, a economia da ciência, da mídia, da política, da  filosofia, etc.); a ciência de fato nasce e é produzida por um indivíduo isolado ou em companhia de outro semelhante, com o mesmo propósito, pensamento e objeto de estudo.Tal como a   filosofia, a ciência assim constituída no espírito solitário do ser humano, não crê na prova, conquanto procure a prova contextualizada nos cânones que contextualizam a ciência e que tem o poder político e  de mídia de destruir ou desmoralizar o pensamento de um sábio, se ele fugir minimamente aos cânones exigidos com todo o rigor, se o sábio não provar contextualmente as suas assertivas em conformidade com a crença probatória dos senhores no poder da cátedra, outro poder político. Esses jões-intrujões ou entre-Jões.
Na realidade, a prova é um artigo de fé, porquanto está inserta num determinado contexto. Na maioria das provas, promovidas com instrumentação tecnológicas, as novas pantomimas dos velhos sacerdotes e mágicos no poder de polícia ( poder político), na maioria das vezes o que prova é aquilo que todos os envolvidos no processo probatório desejam com ardor que seja provado definitivamente, "ab aeterno". São provas contextuais, de pouca monta, que não resistem ao tecido roto do tempo. Aliás, não há prova, por mais substanciosa, que resista ao tempo e não se rasgue em outro contexto. Entrementes, os aforismos dos filósofos e os versos dos poetas são eternos ou são o próprio tempo passado e presente no indivíduo que foi-se com a morte ( fugiu com a morte?), mas ficou vivo e no tempo presente na alma ou espírito de outro indivíduo, que o leu e compreendeu, cantou com ele a melodia da vida, só assim eterna.
Há os insurretos, os dissidentes,  que a nada se submetem,  com todos os dentes que ainda tenham, rilham ; estes entes são, então, denominados , rotulados de filósofos ( algo vago ), quando seu pensamento é tolerado ou o contexto que o pensamento do sábio cavou em membros influentes do conhecimento, não permitam descartar o sábio rebelde. Então os classificam como filósofo ou pensador, se não algo inofensivo : escritor. Olvidam ou não sabem ( não são lidos e cultos) que escritores como Dostoiévski e Kafka, dentre outros, foram os verdadeiros sábios que construíram grande parte da ciência em seus livros despretensiosos.
Os filósofos, homens livres e emancipados no conhecimento, eruditos que são, experientes em vida, lidos, cultos, incréus de tudo, são tão livres que não têm convicção nem de sua filosofia, discrepam de todos e de tudo, inclusive de si, e, assim, sendo livres até de si pois sabem que o pensamento passa pelo filtro de um contexto interno e outro externo, que o pode apagar no futuro, se não no momento em que criam. Há esses pensamentos natimortos.
Os filósofos, com sua descrença, tornam a ciência saudável, viva, livre, emancipada da política, etc. Eles são as colunas que sustem o conhecimento e a coragem de produzir e promover o conhecimento e a sabedoria.


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